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A Liss me pediu pra escrever seu release - que é isto que você está lendo, um texto oficial informando imprensa e promotores (geralmente) sobre o trabalho da banda -, o que deixou-me lisonjeado. Mas aí fiquei me perguntando: "Como faço esse troço parecer imparcial, gostando tanto do som dos caras? E se eu me perder em adjetivos e esquecer que o objetivo aqui é comunicar, explicar, e não babar ovo?". Esquentei cabeça à toa. Isto não é um texto jornalístico formal. E se registrar o caminho do grupo valorizando cada passo dado, qual o problema? Nenhum.
Então vamos lá.

Esse negócio de power pop é pra gente estudada - PhDs no fino dos anos 60 e 70, garageira, psicodelia, rock inglês e guitar bands dos 90's. Guitarras volumosas, em geral distorcidas, harmonias vocais, um romantismo algo angustiado e, acima de qualquer outra coisa, melodias de inspiração divina. Se essa é uma fórmula concentrada, então a Liss tem tudo o que é preciso pra reproduzi-la em seu laboratório, o Estúdio Gas, em Rio do Sul. Ali, a banda combina os elementos listados acima pra produzir canções saborosas - que, pelo que se sabe, já chegam às seis dezenas -, reproduzidas com irretocável intensidade nos palcos catarinenses.
A Liss - o nome vem da flor-de-lis, símbolo da pureza de corpo e alma, além da psicodelia - já está na estrada há mais de uma década. A formação atual, com Giuliano "Giulle" Aquino (vocais, violão e guitarras), Rodrigo Fronza (guitarras, vocais e sintetizadores), Marcelo "Marça" Petters (bateria) e Henrique Marquez (baixo), já tem mais quilometragem que muito caminhoneiro veterano e uma carga de amigos e bandas parceiras de mesma soma.

A lista de admiradores não é fraca, mesmo. Não fosse assim, em 2005 o quarteto não teria
sido um dos 40 escolhidos entre quase 3 mil concorrentes do Brasil todo pela organização do festival Claro Q é Rock, ficando entre os 5 melhores na região que compreende Santa Catarina e Paraná. Na final regional do concurso, que antecedeu o show dos ingleses do Placebo em Florianópolis, a Liss empatou com a banda vencedora, que levou a melhor no desempate por torpedos SMS. Dos campeões nada se sabe, mas os riosulenses estão aí, cada vez mais vivos e fortes.
Não resta dúvida que aquela apresentação abriu portas e provocou reações favoráveis de diversos veículos de comunicação do Estado. Um estímulo e tanto na hora de soltar, naquele mesmo ano, a primeiro demo, Claro, que continha as músicas Black Tié, Sem Privilégios, Quem eu Sou? e Na Terceira Volta da Corrida, todas gravadas e produzidas no home studio da banda.

Aí, em 2006, um dos mais celebrados jornalistas musicais do País, Lúcio Ribeiro, soltou em seu blog Popload que a Liss era a 8ª banda indie nacional que o público mais desejava ver nos grandes festivais. Tolos foram os festivais que não chamaram o grupo pra integrar seus cast.
O ano de 2009 também foi especial. O quarteto deu uma reforçada em sua discografia de dois EPs ao vivo e uma demo com um novo EP, A Mais Pop, que continha três faixas, entre Ela É (a Mais Pop), que acabou virando clipe. Pra não perder o embalo, um quarto EP está a caminho. As Cores deve sair ainda no primeiro semestre de 2010, com três composições inéditas e uma regravação de Black Tie. E a roda não para de girar...
Ufa, até que cheguei ao fim (fim?) da jornada sem me perder no florido jardim sonoro da Liss. Mas a tentação de me esbaldar foi grande. Já vocês aí, que estão lendo este release, não precisam se preocupar com nada. Entrem nos endereços virtuais da banda, baixem e ouçam à vontade e preparem os elogios.

Rubens Herbst, jornalista.

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